Saúde mental na terceira idade: desafios e caminhos para um envelhecimento ativo

 

A população brasileira está envelhecendo rapidamente. Em 2022, o número de pessoas com 65 anos ou mais alcançou 22.169.101, representando 10,9% da população total. Esse crescimento de 57,4% em relação a 2010, quando os idosos eram 7,4% da população, reflete um aumento na expectativa de vida. No entanto, é fundamental considerar não apenas a longevidade, mas também a qualidade de vida e a saúde mental dessas pessoas.

Com o avanço da idade, os idosos enfrentam diversas transformações físicas e emocionais. A diminuição da visão, a perda ou o ganho de peso e outras mudanças corporais são comuns, mas podem afetar significativamente a saúde mental. A vivência dessas transformações, frequentemente associadas a perdas - como a mobilidade reduzida, a ausência dos filhos ou a viuvez - pode levar a sentimentos de ansiedade, angústia, medo e tristeza intensa.

Um problema comum é o isolamento, que pode resultar da vergonha ou da negação de que se necessita de ajuda. A cultura que valoriza a juventude e associa vitalidade a ser jovem contribui para que os idosos se sintam marginalizados, afetando sua autoestima e, consequentemente, sua saúde mental.

A depressão é o transtorno mental mais frequente entre os idosos, que lideram o ranking de casos depressivos no Brasil. Segundo o Boletim Fatos e Números de Saúde Mental, 13,2% dos idosos entre 60 e 64 anos foram diagnosticados com depressão, um aumento significativo em relação a 2013.

Para promover um envelhecimento saudável e ativo, é essencial adotar boas práticas, como alimentação adequada, atividade física regular e sono de qualidade. Além disso, interações sociais e estabelecimento de metas são fundamentais. O termo "envelhecimento saudável e ativo", adotado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), enfatiza a criação de oportunidades contínuas de saúde, participação e segurança para os idosos, incentivando sua participação em questões sociais, econômicas, culturais, espirituais e civis.

A solidariedade intergeracional também é importante. A interdependência entre gerações garante que pessoas de todas as idades cuidem umas das outras, fortalecendo o tecido social e promovendo um envelhecimento ativo.

O geriatra Marcos Alvinair, do Hospital Mater Dei Santa Genoveva, destaca a importância do voluntariado como uma ferramenta poderosa contra a depressão e o isolamento. "O voluntariado não só beneficia quem recebe a ajuda, mas também gera um senso de utilidade e conexão social para os idosos, contribuindo para sua saúde mental e física. Estudos mostram que as conexões sociais são um dos principais fatores de longevidade, e o trabalho voluntário pode ser um tratamento preventivo e curativo eficaz", afirmou em participação no programa Doses de Saúde.

Investir em iniciativas que promovam a saúde mental e o bem-estar dos idosos é essencial para enfrentar os desafios do envelhecimento populacional. O envelhecimento ativo, com participação social contínua e suporte adequado, pode transformar a experiência da velhice em um período de oportunidades e realizações, garantindo uma vida mais saudável e feliz para os idosos.

Assessoria