Inverno será quente? Altas temperaturas nos próximos meses têm relação com mudanças climáticas

O inverno está se aproximando, porém com as condições climáticas incomuns que o Brasil está enfrentando – ou melhor, o planeta inteiro – a expectativa é de que ele seja menos frio em algumas regiões do que em anos anteriores. Um levantamento feito pela Climatempo apontou que a previsão será de 3º C acima da média. Enquanto as chuvas se concentram nos extremos do país, especialmente no Sul, superando os volumes esperados, o centro-oeste do Brasil será predominado por uma massa de ar quente e seca, elevando as temperaturas. 

Um dos principais motivos é o efeito residual do El Niño, um fenômeno que trouxe uma elevação das temperaturas médias em nível global. Porém, a culpa não é só desse fenômeno. 

Segundo uma pesquisa realizada pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), as temperaturas médias durante o inverno no Brasil têm aumentado consistentemente nas últimas décadas. Entre os anos de 2010 e 2020, observamos que a média das temperaturas mínimas de inverno subiu cerca de 1,2° em várias regiões do país.  

O aumento é particularmente notável nas regiões Sul e Sudeste, onde cidades como São Paulo e Curitiba registraram invernos consideravelmente mais quentes nos últimos anos. A pesquisa também indica que os episódios de frio intenso, que eram mais frequentes há dez anos, se tornaram menos comuns, enquanto as ondas de calor fora de época têm se tornado mais frequentes.  

O biólogo Paulo Jubilut, professor do Aprova Total, aponta que as mudanças climáticas globais têm um papel crucial nesse cenário. Segundo ele, o aquecimento global, impulsionado principalmente pelas emissões de gases de efeito estufa provenientes da queima de combustíveis fósseis, desmatamento e outras atividades humanas, está alterando os padrões climáticos em todo o mundo.  

O Brasil, com seu vasto território e grandes reservas de carbono nas florestas, desempenha um papel crucial na luta contra as mudanças climáticas. O país está comprometido com metas ambiciosas estabelecidas no Tratado de Paris, assinado por 195 países e a União Europeia em 2015. Entre as metas brasileiras estão a redução das emissões de gases de efeito estufa em 43% até 2030, em relação a 2005, o fim do desmatamento ilegal até 2030, o reflorestamento de 12 milhões de hectares e a restauração de 15 milhões de hectares de pastagens degradadas. 

No entanto, essas mudanças não se limitam exclusivamente ao Brasil. Pesquisas confirmam que os últimos oito anos foram os mais quentes já registrados globalmente. De acordo com dados da Organização Meteorológica Mundial (OMM), esses anos apresentaram temperaturas consistentemente pelo menos 1°C acima dos níveis pré-industriais, mesmo com os efeitos de resfriamento do fenômeno La Niña em alguns anos. Em 2022, a temperatura média global foi aproximadamente 1,15°C acima da média pré-industrial, evidenciando a tendência de aquecimento contínuo e seus impactos globais. 

"O impacto das mudanças climáticas já é visível em diversas regiões do Brasil. A seca prolongada no Brasil central e as chuvas intensas na região Sul, especialmente no estado do Rio Grande do Sul, são exemplos claros de como os padrões climáticos estão se tornando mais extremos e imprevisíveis", aponta Jubilut. O biólogo explica que esses fenômenos não são isolados e refletem uma tendência global de alterações climáticas que afetam a agricultura, a disponibilidade de água, a saúde pública e a biodiversidade. 

Para enfrentar esses desafios, é essencial intensificar as ações de mitigação e adaptação. "A implementação de políticas ambientais eficazes, a transição para fontes de energia renováveis e a conservação das florestas são passos fundamentais para garantir um futuro sustentável e minimizar os impactos das mudanças climáticas", afirma o biólogo. 

Enquanto o inverno pode trazer algum alívio temporário das altas temperaturas, a tendência geral de aquecimento global e suas consequências continuam a ser uma preocupação urgente. 

Assessoria