Força-Tarefa pela Aliança Global contra a Fome e a Pobreza se reúne para consolidar documento fundacional e termos finais


 

Fotos: Danillo França e Roberta Aline/ MDS

 

Com ampla participação de membros do G20, países convidados e organismos internacionais, a Força-Tarefa pela Aliança Global contra a Fome e a Pobreza deu início à terceira reunião, nesta quarta-feira (22.05), em Teresina. O encontro serve para consolidar o documento fundacional e termos finais da iniciativa.

 

O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, abriu a reunião que segue até a próxima sexta-feira (24.05). "A Aliança que almejamos não é a criação de uma nova organização ou de um novo fundo", afirmou. "É um sentido mais profundo de uma aliança entre países, de provedores de conhecimento, em torno do compromisso de implementar programas que dão certo. Juntos, podemos construir um futuro em que a fome e a pobreza serão erradicadas", defendeu o titular do MDS.

 

A ideia de formar uma Aliança é uma iniciativa do presidente Lula, que começou a ser trabalhada quando o Brasil assumiu a chefia do G20 em Nova Delhi, na Índia, no ano passado. A proposta é oferecer uma cesta de experiências exitosas de combate à fome e à pobreza de diversos países a outras nações que queiram adaptar e implementar essas políticas públicas em seus territórios.

 

 


Segundo o ministro, a expectativa é que, ao final do encontro em Teresina, que reúne cerca de 50 delegações internacionais, seja elaborado três documentos, que abordarão as iniciativas dos países. Neles, devem constar os termos da Aliança e seu funcionamento, além de especificações sobre apoio financeiro.

 

"Nossa esperança é que, nesta reunião, possamos concluir os trabalhos técnicos para a elaboração do documento fundacional, a ser adotado na reunião ministerial do G20 no Rio de Janeiro, em 24 de julho", adiantou o ministro Wellington Dias. A expectativa é que a Aliança seja lançada em novembro, na capital fluminense, durante a Cúpula dos Chefes de Estado e de Governo do grupo que reúne as maiores economias mundiais.

 

Durante a abertura da reunião, o titular do MDS também falou sobre o simbolismo de o encontro ocorrer no Piauí, estado berço do Bolsa Família, e que aumentou o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 0,4 para 0,7 nas últimas duas décadas, segundo pesquisa recente do PNUD. "Há 20 anos, era a região mais pobre do Brasil e, hoje, conseguimos elevar a renda dos mais pobres, com crescimento mais acelerado do que a média brasileira em quase todos os indicadores. Isso é testemunho do que pode ser alcançado com políticas públicas eficazes" completou.

 

Experiências exitosas de políticas de combate à fome e à pobreza tiraram 24,4 milhões de pessoas da fome em 2023:

 

 

 

Tragédia climática

 

O desastre ocorrido no Rio Grande do Sul foi outro ponto destacado pelo ministro, que pediu um minuto de silêncio aos presentes. "A tragédia é um alerta da crise climática e de que medidas e investimentos são necessários em todo os países, para uma adaptação a essa nova realidade", disse.

 

"São os mais pobres os que mais sofrem com essas adversidades. Recursos financeiros e assistência técnica são fundamentais para auxiliar países em situações semelhantes", acrescentou.

 

Além disso, Wellington Dias enfatizou a importância da construção coletiva da Aliança Global, não apenas entre países e organismos internacionais, mas também entre a sociedade civil. A terceira reunião da força-tarefa foi precedida, na capital piauiense, de diversos eventos do G20 Social, que permitiram que organizações civis colaborassem com propostas.

 

Fotos: Danillo França e Roberta Aline/ MDS

 

Considerações

 

Em vídeo transmitido às delegações, a primeira-dama Janja Lula da Silva lembrou que a Aliança vai ao encontro dos ODS 1 e 2 da ONU, de erradicação da fome e da pobreza no mundo. "Hoje, 735 milhões de pessoas passam fome no mundo. Ainda estamos longe de cumprir essas metas, o que exige repactuar nossos compromissos. A fome perpassa fronteiras e, embora não haja uma solução única, a troca de experiências e direcionamento de recursos pode erradicar esses problemas", analisou.

 

A abertura do evento contou ainda com a presença do governador do Piauí, Rafael Fonteles, que defendeu a importância de a reunião ser realizada em Teresina e lembrou da experiência local no combate à insegurança alimentar e à miséria.

 

Já a presidenta do Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), Elisabetta Recine, trouxe preocupações e propostas para as delegações levarem em consideração durante a consolidação da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza.

 

Entre elas, estão: a busca pela democratização da tomada de decisões sobre o tema, em nível nacional, com mecanismos institucionais que permitam plena participação; uma forma de evitar conflitos com a indústria de agronegócios e de salvaguardar direitos humanos; além da garantia para indígenas, pescadores, e comunidades terem o controle sobre suas terras.

 

Assessoria