Dia Mundial Sem Tabaco: Cigarro eletrônico é porta de entrada para tabagismo entre jovens


Neste ano, a Organização Mundial da Saúde (OMS) escolheu como foco do Dia Mundial Sem Tabaco (31/5), proteger as crianças da interferência da indústria do tabaco. A estimativa é de que 37 milhões de jovens, entre 13 e 15 anos, consumam tabaco e a nova porta de entrada para o fumo nesse público é o cigarro eletrônico.

 

Com o tema "Jovens entram em cena e falam", a OMS quer instigá-los a exigir dos poderes públicos a proteção contra as táticas predatórias do marketing da indústria do tabaco, que atualmente tem os jovens como alvo, com objetivo de atrair sua atenção a um produto com uma cara moderna e aditivos de aroma e sabor bastante atraentes, mas que por trás dessa cortina de fumaça, é mais um derivado do tabaco que causa dependência, adoecimento e morte.

 

"Qualquer derivado do tabaco é danoso à saúde individual e coletiva, mas é lucrativo para o fabricante. E a dependência à nicotina é a peça-chave deste negócio. São usadas táticas camufladas de inserções em redes sociais e plataformas de vídeos curtos, especialmente através do uso por alguma pessoa influente. É o novo posicionamento da indústria", diz o pneumologista Gustavo Prado do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, que complementa.

 

"Proibida de veicular peças publicitárias em revistas, jornais, televisão e outras mídias, essa indústria busca divulgar seus novos produtos de forma mais furtiva, fantasiada de espontânea, e frequentemente viral", diz o especialista

 

Outro ponto que a OMS levanta com a campanha é de que, em todo mundo, adolescentes na faixa dos 13 aos 15 anos usam mais cigarros eletrônicos que os adultos.

 

"Pendrive", vape, pod, caneta, existem diversos dispositivos que atraem os jovens para a dependência do tabaco e nicotina. Quando vaporizadas e inaladas, essas substâncias usadas nesses aparelhos podem causar tanto mal quanto o cigarro comum. Como contém concentrações altíssimas de nicotina, muitas vezes transformada para se tornar mais rapidamente absorvida, esses "cigarros" provavelmente até mais rápido que os convencionais.

 

No Brasil, a proibição de importação, publicidade e venda de cigarros eletrônicos está em vigor desde 2009. No mês passado, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) publicou uma resolução em que manteve as restrições ao produto no país. No entanto, não é difícil encontrar o dispositivo à venda em sites, assim como os insumos (e-líquidos) usados para fumar.

 

De acordo com o pneumologista do Hospital, aditivos de aroma e sabor foram desenvolvidos há décadas para a indústria do tabaco dirigir seus produtos para crianças e adolescentes, tornando-os mais atrativos e diminuindo percepções mais desconfortáveis nas primeiras experiências de consumo.

 

"A presença desses aditivos nos cigarros eletrônicos, assim como o projeto de desenho de produtos mais atraentes, o uso prático e fácil, em qualquer lugar, além de muitas vezes também mais furtivo já que não gera fumaça, por não envolver combustão, e ser menos perceptível pelos outros, facilita seu uso e contorna as proibições de consumo em locais fechados", acrescentou o especialista.

 

Segundo o pneumologista, a ideia do uso de cigarros eletrônicos como alternativa menos prejudicial ao tabagismo convencional é um argumento enganoso dos que defendem os fabricantes destes produtos. Já há evidências robustas publicadas sobre a equivalência de vapes e cigarros de tabaco queimado no risco para doenças cardiovasculares, respiratórias, metabólicas e da cavidade oral, além da crescente suspeita de também causarem os mesmos tipos de câncer que os cigarros.

 

A transição do cigarro convencional para os dispositivos eletrônicos leva, na maioria das vezes, à conversão a um padrão de consumo duplo, ou seja, o uso de cigarros convencionais junto aos dispositivos eletrônicos, o que comprovadamente causa mais males que cada um deles isoladamente.

 

Um estudo apresentado no congresso anual da American Thoracic Society, realizado no começo deste mês nos Estados Unidos, apontou que ainda não está evidente que a mudança para o uso de cigarros eletrônicos após parar de fumar reduza o risco futuro de câncer de pulmão; assim sendo, a única estratégia segura de reduzir o risco de câncer é realmente parar de fumar.

 

Já outro estudo divulgado na semana passada na Coreia do Sul apontou que pessoas que pararam de fumar cigarros e passaram a usar os dispositivos eletrônicos têm maior probabilidade de desenvolver câncer de pulmão do que aquelas que não usam os "vapes".

 

Foi o primeiro grande estudo de base populacional no país que demonstrar o risco aumentado de câncer pulmonar em usuários de cigarros eletrônicos após parar de fumar, informou o Hospital Bundang da Universidade Nacional de Seul.

 

"A preocupação é grande entre oncologistas, apesar de não ter a causalidade comprovada do uso de cigarros eletrônicos com câncer, como no uso do tabaco, mas tem potencial cancerígeno, além de saborizantes e produtos químicos. É uma questão de tempo para ter relatos de câncer provocados por vape", disse o Dr. Carlos Henrique Teixeira, coordenador do núcleo de pulmão do Centro Especializado em Oncologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

 

Problema de saúde pública

 

O tabagismo é conhecido como tabagismo, um problema de saúde pública, caracterizado como uma doença crônica causada pela dependência à nicotina presente em cigarros, charutos, narguilé, cachimbo e nos cigarros eletrônicos.

 

O tabagismo pode contribuir para o desenvolvimento mais de 50 enfermidades de acordo com a OMS, incluindo os cânceres das cavidades oral e nasal, de laringe, pulmão, esôfago, estômago, pâncreas, fígado, intestino, rim, mama, ovário, bexiga e colo de útero, além de doenças como tuberculose, doença renal crônica, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), infarto e acidente vascular cerebral (AVC).

 

No Brasil, de acordo com o Inca (Instituto Nacional do Câncer) 443 pessoas morrem a cada dia por causa do tabagismo. Cerca de R$ 125 bilhões são gastos com danos causadas pelo tabagismo no SUS (Sistema Único de Saúde) e na economia como um todo no país. Pouco mais de 161 mil mortes anuais seriam evitadas, de acordo com o Inca.

 

Assessoria